Por que o orçamento de 2027 não pode ser uma cópia de 2026?
Todo fim de ano, muitos empresários repetem o mesmo ritual: pegam os números do ano que está terminando, aplicam um percentual de crescimento e chamam isso de planejamento. Em 2027, esse atalho pode sair caro.
O próximo ano é o primeiro em que a CBS passa a ser cobrada para valer, substituindo o PIS e a Cofins. Ao mesmo tempo, os sócios já convivem com a nova tributação sobre lucros distribuídos, em vigor desde janeiro de 2026. Preço, margem, caixa e retirada dos sócios: tudo isso pode mudar de um ano para o outro.
Neste artigo, a Nobile Assessoria Contábil mostra como montar um orçamento empresarial para 2027 de forma simples, realista e já considerando as mudanças que vêm pela frente.
O que é orçamento empresarial (e o que ele não é)
Orçamento empresarial é a tradução em números do que a empresa pretende fazer no próximo ano. Ele projeta quanto vai entrar, quanto vai sair, quanto vai sobrar e quando cada coisa acontece.
Orçamento não é uma meta de faturamento escrita no quadro da sala de reuniões. Também não é uma planilha que se preenche em dezembro e nunca mais se abre. Um bom orçamento serve para três coisas:
- Antecipar problemas de caixa, como meses de faturamento mais fraco, o pagamento do 13º salário ou uma parcela grande de financiamento.
- Apoiar decisões, como contratar, investir em equipamento, abrir uma filial ou reajustar preços.
- Medir o desempenho real, comparando o que foi planejado com o que de fato aconteceu.
Se a sua empresa já acompanha o fluxo de caixa e a DRE, o orçamento é o passo seguinte: em vez de olhar só para trás, você passa a olhar para frente.
Passo a passo para montar o orçamento de 2027
Você não precisa de um sistema caro para começar. Uma planilha bem organizada, mês a mês, já resolve para a maioria das pequenas e médias empresas.
- Parta dos números reais de 2026. Use a DRE e o fluxo de caixa dos últimos 12 meses como base. Observe a sazonalidade: quais meses vendem mais, quais vendem menos e onde o caixa costuma apertar.
- Projete as receitas com os pés no chão. Considere a carteira atual de clientes, contratos já fechados, reajustes de preço previstos e a capacidade real de atendimento da equipe. Evite projetar crescimento só porque “o mercado vai melhorar”.
- Liste os custos fixos e variáveis. Aluguel, sistemas, energia, matéria-prima, comissões e fretes. Para os fixos, aplique os reajustes contratuais. Para os variáveis, use o percentual que eles representam sobre o faturamento.
- Recalcule a folha de pagamento. O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741, alta de 7,4% sobre os R$ 1.621 atuais. O valor oficial só sai em dezembro, mas ele já serve de referência para pisos, dissídios e encargos. Não esqueça férias, 13º salário e eventuais contratações.
- Projete os tributos de acordo com o regime. Aqui está a maior novidade de 2027, que detalhamos na próxima seção. O imposto deixa de ser um percentual fixo copiado do ano anterior.
- Separe os investimentos. Máquinas, reformas, tecnologia e marketing entram em linha própria, com mês previsto de desembolso e forma de pagamento.
- Inclua dívidas e financiamentos. Parcelas de empréstimos, parcelamentos tributários e juros. Com a Selic ainda em patamar elevado, crédito novo precisa ser muito bem justificado.
- Defina as retiradas dos sócios. Pró-labore e distribuição de lucros também saem do caixa e precisam estar no orçamento, com valor e calendário definidos.
- Feche o resultado mês a mês. Ao final, você terá uma visão de quanto sobra (ou falta) em cada mês de 2027. Se algum mês ficar negativo, o momento de agir é agora, e não quando ele chegar.
O que muda em 2027 e precisa entrar nas suas projeções
A partir de 1º de janeiro de 2027, a CBS passa a ser cobrada de forma efetiva e o PIS e a Cofins deixam de existir. O Imposto Seletivo também começa a ser cobrado. Já o IBS segue em fase de teste, e o ICMS e o ISS continuam sendo pagos normalmente.
O detalhe que mais complica o orçamento é que a alíquota da CBS para 2027 ainda não foi definida. Pelo calendário da reforma, o TCU tem até 30 de outubro para enviar os cálculos ao Senado, que tem até 15 de dezembro para fixar a alíquota de referência. Em 2027 e 2028, a CBS ainda terá uma redução de 0,1 ponto percentual. Estimativas de mercado apontam algo próximo de 9%, mas não há número oficial.
Por isso, a recomendação é montar o orçamento com cenários (por exemplo, uma alíquota mais baixa e outra mais alta) e revisá-lo assim que o Senado publicar o percentual definitivo.
O impacto também depende do regime tributário da empresa:
| Regime | O que considerar no orçamento de 2027 |
| Simples Nacional | Quem permaneceu no modelo tradicional segue pagando pelo DAS. Quem optou pelo Simples híbrido passa a recolher IBS e CBS separadamente e precisa projetar os créditos das compras. |
| Lucro Presumido | PIS e Cofins cumulativos saem e entra a CBS não cumulativa, com alíquota maior, mas com direito a crédito sobre as compras. O efeito final depende de quanto a empresa compra de fornecedores que geram crédito. |
| Lucro Real | A não cumulatividade passa a ser mais ampla do que no PIS e na Cofins atuais. Vale revisar quais despesas passam a gerar crédito e como isso afeta o custo. |
Além dos tributos sobre o consumo, três pontos merecem atenção na hora de fechar os números:
- Preço de venda. Se a carga tributária mudar, o preço precisa ser revisado. Orçar 2027 com a tabela de preços de 2026 pode esconder uma queda de margem.
- Contratos com clientes. Contratos de longo prazo podem precisar de cláusula de reequilíbrio para refletir a nova tributação. Sem isso, a diferença sai da sua margem.
- Retirada dos sócios. Desde 2026, lucros acima de R$ 50 mil por mês pagos ao mesmo sócio sofrem retenção de Imposto de Renda. Planejar o calendário e o valor das distribuições evita surpresas. Explicamos as regras em detalhe neste artigo.
Erros comuns ao montar o orçamento
- Copiar o ano anterior e somar um percentual. É rápido, mas ignora as mudanças de 2027 e a sazonalidade real do negócio.
- Orçar só o faturamento. Meta de vendas sem projeção de custos, impostos e caixa não é orçamento, é desejo.
- Confundir lucro com caixa. A empresa pode fechar o ano com lucro e, mesmo assim, faltar dinheiro em determinados meses por causa de prazos de recebimento e pagamento.
- Esquecer as despesas de fim de ano. 13º salário, férias coletivas e confraternizações costumam pesar justamente em novembro e dezembro.
- Deixar as retiradas dos sócios de fora. Muitas empresas lucrativas ficam sem caixa por causa de retiradas sem planejamento.
- Fazer o orçamento e engavetar. O orçamento só gera valor se for acompanhado ao longo do ano.
Como acompanhar o orçamento ao longo de 2027
O orçamento ganha vida quando é comparado, todo mês, com o que de fato aconteceu. É o chamado orçado x realizado.
Na prática, funciona assim: ao fechar cada mês, coloque lado a lado o que foi projetado e o que foi realizado em receitas, custos, impostos e caixa. Diferenças pequenas são normais. Diferenças grandes pedem uma pergunta simples: o que aconteceu?
Três momentos merecem uma revisão completa em 2027:
- Dezembro de 2026, quando forem publicados o salário mínimo oficial e a alíquota definitiva da CBS.
- O fim do primeiro trimestre, quando já haverá dados reais do novo sistema tributário para comparar com o que foi projetado.
- O meio do ano, para ajustar a rota do segundo semestre e preparar o planejamento de 2028.
Se a sua empresa já analisa a DRE todo mês, boa parte do trabalho já está pronta: basta colocar o orçamento ao lado dela.
Conclusão: 2027 começa a ser decidido agora
O orçamento de 2027 é o primeiro de uma nova fase tributária no Brasil. Quem entrar no ano com os números projetados, os preços revisados e os cenários da CBS na mesa vai tomar decisões com muito mais segurança do que quem esperar janeiro chegar.
A Nobile Assessoria Contábil pode ajudar sua empresa a montar o orçamento de 2027, simular o impacto da CBS no seu regime tributário e planejar as retiradas dos sócios. Entre em contato com a nossa equipe e comece o próximo ano com clareza.
Nobile Assessoria Contábil
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