Nobile Contabilidade - Fim da escala 6×1: quanto vai custar para a sua empresa e o que fazer antes de dezembro
Fim da escala 6×1: quanto vai custar para a sua empresa e o que fazer antes de dezembro

Nobile Contabilidade

Fim da escala 6×1: quanto vai custar para a sua empresa e o que fazer antes de dezembro

Voltar para o blog

A escala 6×1 acabou. Em 16 de outubro de 2026, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional 141, que garante dois dias de descanso por semana e reduz a jornada de 44 para 40 horas, sem redução de salário.

 

Para quem tem funcionários, a pergunta que importa não é “o que diz a lei”, e sim: quanto isso vai custar para a minha empresa e o que eu preciso decidir antes de dezembro? É isso que este artigo responde.

O que foi aprovado e quando começa a valer

 

A mudança vem em duas etapas e vale também para os contratos de trabalho que já existem. Ou seja, não é só para quem for contratado daqui para frente.

 

Quando O que muda
16/10/2026 Promulgação da Emenda Constitucional 141
A partir de 16/12/2026 Jornada máxima cai para 42 horas semanais e o funcionário passa a ter dois dias de descanso por semana (um deles, de preferência, aos domingos)
A partir de 16/12/2027 Jornada máxima cai para 40 horas semanais

 

Alguns pontos que o empresário precisa saber:

 

– O salário não pode ser reduzido, nem os pisos das categorias. O funcionário vai trabalhar menos e receber o mesmo.

– Quem já trabalha 40 horas ou menos não tem redução de jornada, mas passa a ter direito aos dois dias de descanso.

– Convenções e acordos coletivos com regras de jornada que conflitem com a emenda perdem efeito dois meses após a publicação. Durante a transição, um acordo coletivo pode ampliar a jornada diária para distribuir as 42 horas em cinco dias.

 

Na prática, você tem menos de dois meses para reorganizar a escala da sua equipe.

Quanto pode custar: um exemplo prático

 

Imagine uma loja de rua que fica aberta de segunda a sábado. Ela tem 4 vendedores na escala 6×1, cada um trabalhando 44 horas por semana e ganhando R$ 2.000 por mês.

 

  Hoje (6×1, 44h) Depois de dez/2027 (5×2, 40h)
Dias trabalhados pela equipe por semana 24 20
Horas trabalhadas pela equipe por semana 176 h 160 h
Custo da hora de cada vendedor R$ 9,09 R$ 10,00
Salário de cada vendedor R$ 2.000 R$ 2.000

 

Com a mesma folha de pagamento, a loja perde 4 dias de trabalho e 16 horas por semana. O custo de cada hora trabalhada sobe 10%.

 

Para manter a loja funcionando do mesmo jeito, o empresário tem dois caminhos principais:

 

  • Pagar hora extra: cobrir as 16 horas semanais com hora extra (50% a mais) custa cerca de R$ 1.040 por mês, antes dos reflexos em descanso semanal, férias, 13º e FGTS.
  • Contratar mais um vendedor: um novo funcionário de R$ 2.000 custa algo perto de R$ 2.600 por mês para uma empresa do Simples no comércio, já contando férias, 13º e FGTS.

 

Os valores são uma estimativa simplificada. Cada empresa tem salário, regime tributário, convenção coletiva e horário de funcionamento próprios, e tudo isso muda a conta. Em dezembro de 2026, com a jornada de 42 horas, o impacto nas horas fica pela metade, mas a regra dos dois dias de descanso já vale por inteiro.

As alternativas para se adaptar

 

Nenhuma opção é certa para todo mundo. A melhor depende do tamanho da equipe, do movimento de cada dia e da margem do negócio.

 

  1. Reorganizar a escala. Revezar as folgas para que cada dia tenha a cobertura que precisa. Em muitos negócios, segunda e terça têm menos movimento e aguentam uma equipe menor. É o caminho mais barato, mas exige planejamento.
  2. Rever o horário de funcionamento. Vale olhar o faturamento por dia e por horário. Às vezes, o horário estendido ou um dia inteiro aberto custa mais do que traz de venda.
  3. Pagar horas extras. Resolve no curto prazo, mas tem limite de 2 horas por dia e encarece a folha. Hora extra habitual também gera reflexos em férias, 13º e FGTS.
  4. Mais um funcionário, em tempo integral ou parcial, dá fôlego à escala. É a opção mais cara, então precisa caber no preço e na margem.
  5. Usar freelancers ou intermitentes para os picos, como fins de semana e datas comemorativas, sempre com contrato formalizado para não criar passivo trabalhista.
  6. Negociar com o sindicato. Durante a transição, acordo ou convenção coletiva pode ajustar a distribuição da jornada diária. Confira o que a convenção da sua categoria vai prever.

 

O Sebrae lançou um simulador gratuito, o Escala Sebrae, que compara o custo de cada cenário para micro e pequenas empresas (fonte). É um bom ponto de partida para enxergar os números.

E as pequenas empresas? Vai ter regra diferente?

 

Até agora, não. O texto aprovado permite que uma lei complementar crie medidas de transição para MEI, microempresas e empresas de pequeno porte (Agência Brasil), mas essa lei ainda não existe.

 

O recado é simples: não conte com um alívio que ainda não foi aprovado. Planeje com a regra que está valendo. Se vier alguma flexibilização depois, ela entra como bônus, e não como plano.

Checklist do empresário até dezembro

 

– ☐ Liste quem trabalha em escala 6×1 ou mais de 42 horas por semana

– ☐ Levante o movimento por dia da semana e por horário

– ☐ Monte a nova escala com dois dias de descanso para cada funcionário

– ☐ Calcule o custo de cada alternativa: escala, hora extra, contratação

– ☐ Confira o que a convenção coletiva da sua categoria vai prever

– ☐ Atualize contratos, acordos de compensação e o controle de ponto

– ☐ Revise preços e orçamento de 2027 com a nova folha

A Nobile ajuda você a fazer essa conta

 

O fim da escala 6×1 não é só uma questão de RH. Ele mexe no custo da folha, na margem e no preço de venda. Uma decisão tomada no improviso, em dezembro, sai mais cara do que uma decisão planejada agora.

 

Na Nobile Assessoria Contábil, simulamos o impacto da nova jornada na sua folha de pagamento e comparamos os cenários para você escolher o caminho que cabe no seu negócio. Fale com a nossa equipe.